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domingo, 10 de outubro de 2010

Superficial


Sentado à janela de um frívolo quarto de hotel
Vejo Carros transportando seres distintos
Com uma aparência humana
Mas tão artificiais quanto os veículos que os transportam
Com pressa vem e vão, com pensamentos distantes
Que traduzem a palidez vazia de sua alma
Até posso ouvir seus cérebros dizendo:
- Primeira marcha, soltando a embreagem... Cuidado! Um motociclista à esquerda...
Assim como os veículos, parecem que são comandados por alguém
Talvez pelo medo de suas próprias vidas
Tao superficiais quanto as estradas
Sem cor, sem rumo, sem perspectivas.
Vivendo uma vida de "faz-de-conta"
Fingindo para sí mesmos que tem importância
Que se importam com alguma coisa
Mas nenhum seria capaz de, por um minuto, parar e observar
Flores silvestres que nascem ao redor da estrada
Essas sim tem sua importância
Pois com perseverança esforçam-se para germinar e brotar
No duro e insensível aterro ao longo da rodovia
Parece que podem sentir que dentro de poucos dias
seu esforço pode parecer inútil aos olhos daqueles
Que com a força destruidora de laminas
Deceparão frivolamente suas suaves pétalas
Mas essas flores não desistem
Pois sabem que mesmo que sua obra seja cortada
Aida existem sementes que cairão ao chão avermelhado
E mesmo após sua morte
Seguirão seu trabalho incessante
De acreditar que algum dia, mesmo que distante
Suas cores alegrarão o dia de pelo menos um desses seres estranhos
Que por um momento ao avistá-las
Entenderá que mesmo que a vida acabe
O que importa é que façamos o que é certo
Não nos importando com quem e quando será nosso fim
Pois dessa forma nossa mensagem será passada
De geração em geração
Até o dia que verdadeiramente
Alguem nos entenda.
(Dí Silveira 08/2010)

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